A história do Jeans
Ele é ícone da juventude. É democrático. Pode ser aliado de tudo e todos. O jeans podia bem se candidatar à política - e certamente seria votado pela maioria absoluta.
A história desse tecido explica muito da posição que ocupa hoje nos guarda-roupas, vitrines e de muita gente.
A história desse tecido explica muito da posição que ocupa hoje nos guarda-roupas, vitrines e de muita gente.
Isso porque a história do jeans se confunde um pouco com a história do mundo moderno. “Diferente do que muita gente pensa, ele não nasceu nos Estados Unidos e sim na Europa”, ensina a Patrícia Sant´Anna, professora dos de Design de Moda e Negócios da Moda da Universidade Anhembi Morumbi. O brim pesado do final do século 18 era usado em Gênova, na Itália, mas originário da região de Nimes (e por isso no nome Denim para o tecido).
Um século depois, o francês Levi Strauss saiu do seu país natal com destino a Califórnia, na costa oeste americana, e começou a criar calças de lona de em tons índigo - aquele azul bem jeans. As peças ainda eram usadas por trabalhadores da época, mas precisavam ser ainda mais resistentes. Ao lado de um estilista, Levi passou utilizar o jeans com rebites e reforçar as costuras, transformando as peças em verdadeiros escudos usados pelos cowboys do velho-oeste americano, já na década de 30. “Mineradores, vaqueiros e outros trabalhadores braçais da época usavam as peças, que precisavam mesmo ser resistentes”, conta Patrícia, que é mestre em Antropologia Social.
Foi ainda nesse período que a moda jovem feminina também se desenhou, a partir das meninas que saíam de e passavam a frequentar os colleges americanos. “Elas usavam as calças com a barra dobrada e daí nasceu a cigarrette, por exemplo”, lembra. Marylin Monroe e Elvis Presley apareciam também com seus jeans.
Na década seguinte, o poder de marca passou a ser fundamental tanto quando as inovações nas lavagens e tons. Tudo que era novo precisava ser consumido - e precisava ser diferente. “O jovem não queria o mesmo jeans que o pai usava”.
No final dos anos 70, os estilistas passaram a usar o tecido em suas coleções. Calvin Klein, por exemplo, foi o primeiro a colocar o jeans nas passarelas de moda. “Os jornalistas de moda mais conservadores daquele acharam o ato um absurdo, já que o jeans era tão transgressor”. Mas o impacto foi absorvido rapidamente e logo Giorgio , Ralph Lauren e Fiorucci se renderam ao jeans. E, mais do que isso, colocaram suas etiquetas bem a mostra, para todo mundo ver.
Hoje, todas as marcas olham para o jeans. Democrático e versátil, ele estampa catálogos tanto de grifes luxuosas quanto de lojas de departamento. Todo mundo que usa, adora.
Se há algum tempo o jeans colado, com elastano, era o hit, agora os oversized (boyfriends), é que estão na moda. “O que muda com o passar do tempo é a maneira de lidar com o tecido. E tudo depende de como cada um pensa e quer mostrar o próprio corpo”. Para Patrícia, enquanto as pessoas desejarem e enxergarem no horizonte a juventude, o jeans vai estar na moda! “A maior característica desse tecido é a jovialidade que representa”.
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